quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Força dos Nichos de Mercado

Esse meu artigo foi publicado no Hotelier News. Leia AQUI.

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Não é de hoje que o “fenômeno” dos nichos de mercado permeia o mundo dos negócios. O detalhe é que, a internet vem mudando o comportamento de compra das pessoas. Sendo assim, os hotéis que saírem na frente atendendo as necessidades específicas desses segmentos e sentirem-se confortáveis no mundo digital, sem dúvida, ganharão vantagem competitiva.

Turismo e hotelaria estão entre as indústrias mais dinâmicas da economia global. E dois fenômenos recorrentes em quase todas as indústrias que ampliam seu alcance são: aumento da diversidade e a distribuição da demanda entre um maior número de produtos/serviços. Ou seja, já estamos presenciando esse processo.

O turista, seja ele de negócios ou lazer, tem hoje uma diversidade quase infinita de opções disponíveis. Ele vive em um mundo de hiperconsumo. Nunca existiram tantos consumidores tendo tantas opções e oportunidades como hoje. Em função do volume de oferta tentando conquistar a atenção do consumidor em um ambiente global tão superlotado, o “mercado da diferenciação” vem crescendo. E porque existem mais opções, os consumidores estão mais atentos a preços e “valor percebido”. Eles não têm problema em gastar seu dinheiro, mas querem qualidade de serviços, eficiência e segurança de que a “promessa” da sua marca será “entregue”.

Para aprofundar um pouco mais a idéia, a conhecida Teoria de Pareto, dos 80/20 (20% dos seus produtos geram 80% das receitas ou 20% do nosso tempo é responsável por 80% da nossa produtividade ou, ainda, 20% do seu portfólio de clientes produz 80% do resultado do seu negócio) vem sendo questionada.

Chris Anderson, polêmico escritor e editor-chefe da Revista Wired, tem sido um dos mais acirrados contestadores. Em seu livro “A Cauda Longa – Do mercado de massa para o mercado de nicho” (The Long Tail), ele afirma: “Embora ainda estejamos obcecados pelos sucessos do momento, os grandes hits não são mais a força econômica de outrora. Em vez de avançarem todos em uma mesma direção, aqueles consumidores volúveis agora se dispersam ao sabor dos ventos, à medida que o mercado se fragmenta em inúmeros nichos.”

Na imagem abaixo, intitulada: “O Novo Mercado”, fica claro o motivo do nome do livro.

Head = Cabeça / Long Tail = Cauda Longa

Chris Anderson vem oferecer uma nova perspectiva aos negócios pequenos e independentes, em oposição à larga escala e grandes multinacionais. E sua idéia é simples: grandes empresas/marcas colhem pequenos sucessos, enquanto as pequenas ganham mercado.

Como muito bem afirmado por Bob Offutt, Senior Technology Analyst da PhoCusWright Inc.: “É o tempo em que o tamanho da reputação importa mais do que o tamanho do budget (verba) de marketing”.

Graças, principalmente, à tecnologia, os pequenos produtos/serviços conseguem ser distribuídos e tornarem-se acessíveis para o grande público na mesma proporção das grandes marcas.

Até recentemente, a distribuição do nosso segmento tem sido focada nos maiores “players” do mercado: algumas poucas e maiores OTAs (Online Travel Agencies) e os 3 grandes GDSs.

Mas os tempos estão mudando. A distribuição está ao alcance de todos, além de infinitamente mais barata (tanto para o consumidor quanto para os hotéis).

Se pensarmos em destinos turísticos, um exemplo claro dessa tendência é o resultado de um estudo na Inglaterra, com base nos dados da UK´s Civil Aviation Authortity, onde mostra claramente que, nos últimos 10 anos, o percentual de viagens para os 50 principais destinos do mundo caiu 10 pontos percentuais. Isso significa que as pessoas continuam viajando, mas para destinos menores, menos conhecidos, mais exclusivos. É a teoria da “cauda longa” se confirmando.

Outro exemplo dessa tendência é o aumento dos FIT (Fully Independent Travelers – turistas de lazer que não viajam em grupos), que criam grandes expectativas em viagens, cada vez mais sensoriais e personalizadas. Para atender exigências tão específicas, o número de canais de marketing de viagens explodiu.

Mas, lembre-se: para vender hotéis menos populares, é vital que os custos de distribuição sejam minimizados. Isso requer uma nova maneira de pensar. Procurar somente por negócios de volume, como a maioria do mercado faz, é uma estratégia errada. Isso pressupõe que volume é igual a “valor”. Ledo engano! O trabalho com o mercado de nichos requer foco e a mensuração do “valor” do seu hotel através da percepção do consumidor individual. No mercado de nicho, volume significa: pequeno e específico. E o sucesso está na correta mensuração.


E quanto aos hotéis de negócios?

Nesse caso, a construção da confiança e uma forte identidade são vitais. Quais são as “reais” necessidades de nichos específicos de mercado? Os hotéis devem conversar e interagir com seus clientes, antes mesmo deles tornarem-se clientes formais. Outra coisa importante é que o hotel tenha uma identidade bem definida, onde clientes, funcionários e investidores/donos se sintam confortáveis com o posicionamento do produto. E isso requer 3 coisas: transparência, consistência e simplicidade.

Em resumo, existem algumas recomendações que você pode trabalhar para preparar (ainda mais) seu hotel para esse novo tempo. Afinal de contas, inevitavelmente, ele será impactado (se já não está sendo) por essa teoria avassaladora dos nichos:

Pela visão da OFERTA:

1) Mesmo seu hotel não sendo o “hit” do mercado, suas chances de ser encontrado pelo cliente é tão grande quanto qualquer outro hotel de rede. Torne seu hotel o mais disponível possível investindo em distribuição, mas sem esquecer-se de controlar os custos.

2) Invista em CRM (Customer Relationship Management). Se uma das chaves é conhecer a fundo as necessidades de cada nicho de mercado, um banco de dados, rico em informações atualizadas, poderá se tornar um diferencial competitivo.

3) Seja criativo ao comunicar / promover seus produtos / serviços. Em um mundo de diferenciação, inovar é regra básica para, no mínimo, entrar no jogo.

Pela visão da DEMANDA:

4) Repense seu portfólio de clientes. Quanto tempo sua equipe de vendas gasta com os “grandes” clientes (“head” do gráfico acima)? Todas aquelas carteiras de clientes com baixa produção (“Cauda Longa”) pode se tornar seu “principal cliente”. A boa notícia é que todos esses nichos, quando agregados, podem formar um mercado significativo e, agora, economicamente viável.

Em tempo, não estou dizendo que suas “key accounts” não merecem mais atenção ou deixaram de ser importantes para seu negócio. A idéia é levantar o debate sobre a base de qualquer investimento: “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Se sua “top producer” (maior produtora) resolver fechar a filial no Brasil ou decidir experimentar a concorrência e deixar de trabalhar com você, esteja preparado para dar boas explicações ao dono / investidor do seu hotel. Não dá para ficar “na mão” de 2 ou 3 grandes clientes. É muito risco. Pulverização de negócios, além de ser tendência, é inteligência de mercado e maior garantia de sustentabilidade do seu hotel.

Para terminar, seguem as quatro características mais marcantes da teoria da “Cauda Longa”:

  • Individualidade
  • Customização
  • Queda das fronteiras do tempo e espaço

E a minha preferida:

· Ubiqüidade, ou seja, TUDO está disponível para TODOS, TODA hora.

There are no secrets, only information you don't yet have...” (Não existem segredos, somente informações que você ainda não tem...), por Adam Curry (Um dos principais responsáveis pela criação do formato de transmissão de áudio pela internet conhecido como “podcast”)

Adapte-se, inove e aproveite os novos tempos!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Hospedagem com Sustentabilidade

Esse artigo foi publicado no site Gestão do Luxo (FAAP). Para ler, clique AQUI (mercado).

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Alguns estudiosos têm questionado a coexistência do luxo e da sustentabilidade.
Quantos “amenities” existem em um hotel de alto luxo que resultam em um grande desperdício diário? Camas com seis travesseiros, que consomem um volume de água proporcional a cada lavagem, kits de costura, kit dental, xampus, pentes, tocas de banho e TVs de plasma de 52 polegadas que devoram energia são exemplos que fazem parte do dia-a-dia desses ambientes. Entretanto, imaginar um hotel de luxo sem esses itens é inviável. Onde ficaria a famosa “experiência do hóspede”? Seguindo esse raciocínio, somos levados à questão: Como ser sustentável sem comprometer o Luxo?

Nos últimos anos, pesquisas demonstram que o novo viajante “sofisticado” está naturalmente mais envolvido com questões de responsabilidade ambiental e social, tanto em casa quanto no trabalho. Essa tendência de estilo de vida vem afetando o turismo mundial. As pessoas querem saber se seu dinheiro não está sendo gasto somente em seus travesseiros de penas de ganso e lençóis de linho egípcio, mas também se está contribuindo para a localidade onde o hotel se encontra.

Nessa linha, a “Eco Luxury” propõe um conceito muito interessante, permitindo que os turistas conheçam projetos sustentáveis em várias partes do mundo. Para tornar a experiência do hóspede inesquecível, a empresa envolve toda a comunidade. Além disso, arquitetura e design, fauna e flora, energia e reciclagem contribuem com parte importante nesse processo. Ela pode organizar um itinerário específico dentre as 90 propriedades ao redor do mundo onde existam hotéis e pousadas que passam por rigoroso critério de seleção, antes de entrar em seu diretório. Isso permite ao hóspede tudo o que ele deseja: acomodações luxuosas e confortáveis, cenário deslumbrante, serviços cinco estrelas e um ambiente rodeado de experiência cultural inesquecível.

A Eco Luxury ainda não atua no Brasil, mas como está a sustentabilidade da nossa hotelaria no País? Resorts e Pousadas têm feito consideráveis progressos nessa área sem comprometer o luxo. Entretanto, hotéis urbanos ainda têm um longo caminho no desenvolvimento de projetos de cunho socioambiental.

Um empreendimento que pode servir de exemplo e orgulhar o País é a Pousada Ronco do Bugio. Refúgio rústico-chique localizado na cidade de Piedade, Estado de São Paulo, que prioriza a alta gastronomia e o desenvolvimento sustentável.

reprodução

Toda a arquitetura privilegia materiais reciclados, além de ter preservado integralmente a vegetação nativa local. O nome da pousada faz alusão ao barulho feito pelos macacos bugios que habitam a região. Eles podem ser vistos e ouvidos a todo o momento e dão um charme todo especial ao local.

O uso de materiais de demolição, a piscina natural, o incrível desumidificador de ar perfumado nas suítes, o espaço terapêutico e as 13 suítes diferentes entre si, são impecavelmente decorados. A atenção aos detalhes impressiona.

O contemporâneo restaurante, comandado pelo chef Luis do Santos, prioriza o uso de ingredientes naturais e apresenta, de maneira sofisticada, o que Piedade, uma região que produz 30% do consumo paulista de frutas e legumes, tem de melhor: hortaliças, alcachofras, frutas e ervas.

Inúmeras ações sociais que geram impactos econômicos e ambientais são apoiadas pela população de Piedade. Entre elas, a criação de uma associação de moradores com foco na cidadania, o aproveitamento da queda d’água natural para energia da pousada, mão-de-obra constituída por moradores locais, separação de lixo para reciclagem e/ou reaproveitamento e, como toque final, o uso de material de limpeza orgânico e de banho biodegradáveis.

Em resumo, o serviço impecável e a atenção milimétrica aos detalhes, tudo sobre uma sólida base sustentável, fazem da Pousada Ronco do Bugio um roteiro para os hóspedes mais exigentes.

Além disso, o empreendimento esclarece definitivamente a questão acima levantada. Com boa vontade e trabalho focado, é possível sim aliar o alto luxo em hospedagem à sustentabilidade.

reprodução

Reafirmando a importância deste assunto no mundo atual, de 14 a 17 de maio deste ano foi realizada em Paris, pela primeira vez, a “1.618 Sustainable Luxury Fair” (Feira de Luxo Sustentável). Foram 2.300 profissionais de hotelaria, design, cosméticos, tecnologia, moda e mais de cinco mil visitantes debatendo, assistindo documentários e apresentando produtos inovadores para o desenvolvimento sustentável.

Tudo isso em meio a stands de papel reciclado, luzes de baixa voltagem, projetos de redução de energia e desperdício, além da produção de uma agência especializada em “eco-concepções” de eventos de luxo, a 1.618 Productions. Em função do sucesso e ótima repercussão, a edição da Feira para 2010 já está confirmada.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Liderança e Visão sobre o Brasil por Jorge Gerdau

Semana passada estive no II Ciclo de Decisões, uma reforma no pensamento (CEO Fórum 2009) em Porto Alegre/RS. Ouvir Jorge Gerdau Johannpeter, fundador e atual Presidente do Conselho de Administração Grupo Gerdau, é sempre uma aula de gestão e de visão coerente do mundo dos negócios.
E, com a participação de Eduardo Giannetti, economista e cientista social, como "provocador" do debate, nem preciso dizer que o dia foi extremamente interessante.

LIDERANÇA

* Liderança é um comportamento pessoal.
* Existem líderes barulhentos e silenciosos, mas os 2 podem dar resultados.

* Pontos chaves para um grande líder:

1) Foco claro "onde estou e onde quero chegar" - isso é uma evolução permanente, pois o ambiente muda constantemente.

2) Manter os "stakeholders" satisfeitos.

3) Gerenciar bem os recursos - criar as condições adequadas para fazer a coisa acontecer e sempre perguntar: "O que estou construindo para atingir meus objetivos?"


EMPREENDEDORISMO
Jorge Gerdau cita Peter Drucker: "Todo sonho deve ter uma cota de utopia!".
Devemos sempre "
sonhar alto, ter uma cota de visionário" complementa o empresário, com seu "tá certo" no final de cada frase, revelando um engraçado vício de linguagem.

Conselhos aos jovens empreendedores:

1) Tomar riscos e decisões

2) Tem que disputar muito

3) ATITUDE (querer aprender) e DISCIPLINA (estudar direito as coisas, analisar "de novo") Sempre buscar mais informações. Tem que ter sempre planos B e C.

Ao terminar seus comentários, Eduardo o "provoca" com a citação de Goethe: "
O maior inimigo da ação é o conhecimento." Jorge, de "bate pronto" rebate: "Aí é que está a diferença entre o intelectual e o empresário"...risos na platéia!
Na verdade, Jorge Gerdau fala alemão e é leitor assíduo de Goethe. Ele discorre sobre a teoria do escritor e, no final, afirma:
"todo empresário deve usar uma cota de estupidez, senão não faz." Sua obsessão por estudos e pelo conhecimento fica claro ao longo do evento. "Nada anda sem conhecimento, mas é importante ter processos para tudo funcionar."

FRACASSO

Giannetti provoca: "
Em uma economia de mercado, o fracasso é normal (regra natural do jogo) e é muito bem aceita nos USA, por exemplo. No Brasil, é até moralmente ruim, pois sua reputação pode ficar afetada. O que vc acha sobre isso?"
E Jorge, responde que não sabe, que talvez não tenha estudado suficientemente para responder isso. Aliá, durante outros questionamentos também admite não saber profundamente sobre certos tópicos.
Achei sensacional um executivo desse porte afirmar que não sabe! Me passou ainda mais respeito e credibilidade.

Outros CEOS, como Bernardo Gradim da Braskem e Bernardo Hees da América Latina Logística (ALL), que compunham a 2ª parte da discussão, complementaram:
"Crítica ao sucesso é um limitador ao sucesso de empreender. As religiões tem uma parcela de culpa nessa visão."

CRISE

Quanto à crise, Gerdau ressalta a "humildade". Pouc
os empresários assumem que "o bonde estava passando e eu não analisei tal e tal ponto".

Euforia é enganativa. Otimismo é um estado mental perigoso.
A "embriaguez do sucesso" pode nos levar a decisões desacertadas ("otimismo inconsequente").

Nos anos 90, o México era a "bola vez", como o Brasil é hoje. 15 anos depois, o México não é nada. Não aproveitou para fazer as reformas necessárias para crescer com consistência. Esse é o medo dos empresários: Brasil se "perder" nessa euforia e não "trabalhar" em um plano de médio e longo prazo.

Estamos a 20 anos crescendo 2,5%. Não há nada que realmente nos dê "CONSISTÊNCIA" e "CONFIANÇA".

E Gerdau arremata, incrivelmente ainda cheio de paixão, aos 72 anos: "
Quero um sonho diferente para o Brasil. Chega de salário fome!"

BRASIL
Nosso ambiente de negócios é tão complicado que, se o Bill Gates tivesse começado a montar a Microsoft em uma garagem aqui no Brasil, ainda estaria lá e vendendo softwares piratas.

* Burocracia / Gestão Fiscal - A Gerdau está em 14 países e eles só tem processos trabalhistas no Brasil.
Para ter todos seus tributos geridos corretamente, a média dos outros países é gastar 120hs/ano com isso. No Brasil, são 2.600 hs. No Canadá, 1 funcionário gasta meio turno por mês para gerenciar os dados fiscais. Aqui, a empresa mantêm 200 profissionais para sua gestão fiscal. Funcionários que não produzem nada...

O problema é que o Brasil perde sua competitividade no setor industrial.

Necessitamos:

* Reforma Tributária
* Reforma política

* Formação de capital humano
* Infra-estrutura
* entre outros

Entretanto, investimos somente 1,2% do PIB. Isso é ridículo!

Exemplo: Aeroportos - essa indústria cresce 20% e toma-se anos discutindo uma pista a mais em Guarulhos. O que precisamos são mais 2 ou 3 aeroportos em São Paulo.

Onde está a política ferroviária?

Governança? Não existe!


Vivemos na "improvisação"...

Brincar com 2/3 anos é euforia...uma "irresponsabilidade coletiva".


Sem a
MERITOCRACIA aplicada à gestão política, o Brasil não vai para frente. Além disso, EDUCAÇÃO é a outra palavra. E falamos de educação básica.
Mas ainda, aqui no Brasil, muitas pessoas não querem receber educação, a não ser quando ela é assistencialista. Tem que ser algo sustentável. Reformar uma sala de aula não adianta nada.


A pirâmide: GOVERNO / SOCIEDADE / EMPRESARIADO deve trabalhar com os mesmos objetivos.
  • Vocação para a riqueza e não para o trabalho = Empréstimo
  • Vocação para o crescimento e não para a poupança = Inflação (BRASIL)
A margem de 6% de crescimento para 2010 é normal, pois estamos saindo do 0% e ainda viemos de uma onda cíclica que isso estará propício. Mas a pergunta é: "E depois????"

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E termino o resumo do evento com a frase que estava no painel, atrás dos convidados:
"O conhecimento dever ser permanentemente revisitado e revisado pelo pensamento."
Edgar Morin - Filósofo francês



sábado, 14 de novembro de 2009

Entrevista para Seventh Star Group

Essa entrevista foi para o Seventh Star Group, de Buenos Aires. Obrigada pelo convite e comentários. Leia o original AQUI.

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7* Leaders: Gabriela Otto - Directora Regional de Ventas



Segunda entrega del Ciclo 7 Star Leaders con una profesional de amplia trayectoria en la industria de la hospitalidad.

En este caso tuvimos el gusto de mantener una charla con Gabriela Otto, Directora Regional de Ventas y Distribuición en Sudamérica para Sofitel Luxury Hotels (www.sofitel.com.br)

Gabriela Otto reside en Sao Paulo (Brasil) ,donde además se desempeña como Profesora en las siguientes reconocidas y prestigiosas instituciones:

* Senac - Strategic Planning and Hotel Marketing
* URM - MBA Gestión de Hotelería de Lujo
* Rio Branco - MBA de Marketing

También participa como columnista en los siguientes medios especializados de Hotelería, Turismo y Marketing de Lujo, para los siguientes medios de prensa de Brasil:

* Hotelería - Hôtelier News - www.hoteliernews.com.br
* Lujo - Gestão de Luxo - www.gestaodeluxo.com.br
* Marketing - Cidade Marketing - www.cidademarketing.com.br

Gabriela Otto, además realiza un importante aporte a la industria de la hospitalidad, mediante su propio blog (http://gabrielaotto.blogspot.com) en donde trata temáticas como Marketing, Lujo y Hotelería.

Los invitamos a visitar el mismo, ya que realmente el material aportado por Gabriela transmite toda su trayectoria y amplio conocimiento de nuestra industria.

Emanuel Da Silva: ¿Qué aspectos considera que son los más gratificantes de trabajar en la industria de la hospitalidad?

Gabriela Otto: Formar parte de un segmento de mercado tan dinámico y creciente, observar la profesionalización de las personas y disfrutar del orgullo de los profesionales hoteleros, ya son puntos importantes.

Pero en el día al día, lo más gratificante es el conocimiento de nuevas culturas, la experiencia con la gente que nos enseña el "espíritu de servir" todos los días y, todo esto, sin la rutina de una oficina normal. Podemos ver un ejemplo de lo fascinante que es este mercado,, en todos aquellos colegas que se "atrevieron" a tener una experiencia laboral fuera del segmento hotelero y, después de algún tiempo, volvieron a “su casa".

Pensando específicamente en mi área, las ventas, nada se compara a la satisfacción que nos dá cuando el cliente, que siempre se resistía a trabajar con nuestro hotel, hace la primera reserva. Por supuesto que esto se logra después de mucha persistencia (característica importante de un vendedor). Y cuando todo funciona a la perfección y la "promesa" del servicio es cumplida por la operación, se convierte en un cliente fiel. Sensación increíble!

EDS: ¿Cómo fueron sus inicios en esta industria?

GO: Comencé en hotelería sin ningún planeamiento. Estaba casi formada en Relaciones Públicas y quería empezar a trabajar.

Iba camino a una entrevista de trabajo (aún en Porto Alegre, mi ciudad natal en Brasil), cuando, casualmente, pasé frente al único hotel de 5 estrellas de la ciudad, en ese momento. Me encantó el ambiente, entré... y no salí más.

Por supuesto, el ascenso profesional requiere algo más que audacia juvenil (con equilibrio y límites, por supuesto). Experiencia en el exterior, posgrado en Marketing, clases de Inglés y Español, MBA y el gran deseo de aprender, también me ayudaron mucho.

Cuando me mudé a Sao Paulo, trabajé en grandes redes hoteleras, como Inter Continental y Caesar Park. En 2001, decidí aprender más sobre el mercado de “Leisure” y ampliar mis conocimientos. Para eso no hay ningún lugar mejor que Río de Janeiro. Entonces, me incorporé a la cadena Sofitel, donde estoy hace ya casi 9 años.

EDS: ¿Cómo logró superar los primeros obstáculos laborales que se plantearon en su carrera?

GO: Nunca tuve dudas sobre lo que quería y, con certeza, sabía que los obstáculos serian efímeros.

Pero dos cosas que ayudaron (y continúan ayudando) a pasar los momentos de crisis, es la capacidad de no llevar las cosas para el lado personal. Profesionalismo y ética arriba de todo.

En segundo lugar, el desarrollo de la capacidad de escuchar, que hace toda la diferencia en las situaciones más difíciles. Pero no pongo eso como un consejo, porque creo que es una de esas cosas que aprendemos con el tiempo. Aún estoy aprendiendo...

EDS: Según su opinión: ¿Qué diferencia existe entre el talento humano latinoamericano en la hotelería y el del resto del mundo?

GO: Podemos encontrar la mejor tecnología hotelera en los Estados Unidos y el refinamiento europeo en otras partes del mundo.

Sin embargo, en ninguna otra región, el huésped recibe una sonrisa tan espontánea como en Latinoamérica. La sensación es que realmente estamos recibiendo al turista en "nuestra casa". Esa diferencia hace que la experiencia del huésped se convierta en un momento único. Este "bien recibir" natural es exclusivo de nuestra tierra. Debemos estar orgullosos y destacar eso siempre que sea posible.

La creciente profesionalización de nuestra fuerza laboral, combinada con esta característica única y una increíble capacidad de trabajo en equipo, justifican la cantidad de hoteleros latinoamericanos que han sido invitados a trabajar en otras regiones del mundo.

EDS: ¿En qué aspectos y áreas se debería trabajar con el potencial humano de la región, para lograr mejores prácticas?

GO: Ya hemos mejorado mucho, pero todavía es necesaria una fuerte inversión en la formación de profesionales (técnicos y directivos).

Para demostrar que es verdad la necesidad de educación, muchos profesionales que ya han alcanzado altas posiciones en los hoteles están regresando a las aulas. Ellos han ascendido a posiciones por su experiencia, comenzando de abajo en las operaciones de los hoteles y hoy, sienten la necesidad de ampliar sus conocimientos.

Después de todo, las nuevas generaciones de hoteleros están conectados con el mundo, conociendo la distribución electrónica, sabiendo como utilizar la Web 2.0 para aumentar los ingresos de su hotel y muy conscientes de la competitividad del mercado.

El gerente/director que no acompañe esta "ola", talvez no podrá utilizar todo el potencial de este “nuevo” equipo que tiene a su disposición.

EDS: ¿Qué cualidades debe tener un líder para realizar una excelente gestión al frente de un hotel o equipo de trabajo?

GO: Creo mucho en el "liderazgo natural", en el líder y no en el “jefe”. Esa persona que puede hacer que los demás lo sigan para lograr un objetivo común, con plena conciencia de la importancia de su papel en el desarrollo de la empresa.

En segundo lugar, tener una visión amplia de los negocios ayuda a encontrar y aprovechar oportunidades donde nadie más puede ver. En este momento de crisis, por ejemplo, los grandes líderes se destacaron, porque sabían transmitir tranquilidad a su equipo y revertir las dificultades.

Por último y, en particular, lo que más aprecio en un líder, es la confianza en sí mismo y en su equipo. De hecho, la palabra "confianza" debe estar presente en cualquier acción de un gran líder.

EDS: ¿Qué desafíos plantea liderar un departamento de ventas regional?

GO: Mismo estando en la misma región, el idioma (especialmente los términos regionales) y la cultura de cada país, muchas veces, requieren atención.

Por supuesto la superación de objetivos, como en cualquier Departamento de Ventas, sigue siendo nuestro "pilar " más importante de gestión.

Sin embargo, entrenamientos sobre el mercado de lujo, un programa coherente de “cross selling” y un nuevo proceso de contratación de personal de ventas, basado en “performance” y en el perfil de "empresario" nos ha ayudado mucho para tener éxito en ventas.


EDS: ¿Considera que la crisis mundial fue una oportunidad para aplicar nuevas estrategias de venta efectivas, que de otra manera no hubieran sido consideradas en el pasado?

GO: Absolutamente. En general, la crisis cambió el “timing” de los hoteleros.

La venta "pasiva" prácticamente ha desaparecido. Muchas redes aprovecharon el momento (con razón) para invertir en formación, monitorear más de cerca la conversión de los negocios y mantener altos bonos por el buen desempeño, para su equipo.

Otro hecho importante fue la búsqueda de nuevos canales de distribución. Los hoteles que aún estaban "ensayando" un estudio más profundo o aún seguían cuestionando algunos “fees” para ganar presencia “online”, dejaron de lado todos los viejos paradigmas e invirtieron para estar, cada vez, más disponibles para sus clientes.

En síntesis, se ha beneficiado de la crisis quién no tuvo "miedo", quien se centró en su estrategia de distribución, mantuvo los precios, invirtió en marketing y valoró su producto / servicio.

EDS: ¿Qué desafíos presenta para la hotelería de Brasil la organización del mundial de Fútbol del 2014 y de las olimpíadas 2016?

GO: Según Luis Barreto, Ministro de Turismo de Brasil, la hotelería es una de las cuatro prioridades para la Copa del Mundo. Las otras tres son: la promoción, la capacitación de personal y la infraestructura.

Acerca de la capacidad hotelera, la pregunta que surge ahora es si habrá una sobreoferta de hoteles después de estos eventos. Aunque el mercado es optimista sobre el futuro de la demanda (que seguramente aumentará), tenemos que trabajar mucho de aquí en adelante para mantenerla consistente en el futuro.

Sobre la cuestión de la promoción, he escuchado muchos clientes internacionales que dudan del envío de grupos a Brasil (por la imagen del país en la prensa, que no siempre es buena), y que cambian por completo su opinión cuando visitan personalmente el país.

En otras palabras, tengo mucha confianza que, recibiendo aquí tantos "líderes de opinión”, la imagen de nuestro país cambiará definitivamente.

La inversión en la calificación de personas, en particular, me preocupa. La inversión del gobierno no es suficiente. Los hoteles necesitan implementar programas de formación y planificación de carrera con visión en el mediano y largo plazo, de forma consistente.

Sobre la infraestructura, se podría escribir páginas sobre lo que necesitamos, pero si se resuelve el problema de las rutas aéreas y aeropuertos, ya va ser un excelente comienzo..

En general, tenemos que felicitar al país! Necesitábamos de este estímulo. Como brasileña, estoy muy orgullosa de mí país por ser la sede de dos de los eventos deportivos más importantes del mundo. Como dije anteriormente, ahora es el momento de trabajar para superar las expectativas de todos… y mucho!

EDS: A su opinión, ¿Qué medidas debería adoptar UNASUR / MERCOSUR para fomentar integralmente al turismo de la región , las ventas de los destinos y la generación de empleos en la industria?

GO: Entre los objetivos culturales, sociales, políticos y económicos de UNASUR / MERCOSUR, creo que la capacitación de profesionales y la promoción conjunta de los destinos podrían liderar las inversiones para incrementar nuestro turismo.

EDS: ¿Qué mensaje final le gustaría transmitir a las nuevas generaciones de hoteliers de Latinoamérica?

GO: Mi mensaje final no podría dejar de estar relacionado con la educación.

Como comenté anteriormente, aconsejo a los jóvenes hoteleros que no paren de estudiar y actualizarse...nunca!

A las cadenas hoteleras, que incentiven el desarrollo de sus profesionales. Y no estoy hablando de iniciativas aisladas, sino de un programa consistente de entrenamiento en conjunto con escuelas y universidades, por ejemplo. Todos van salir ganando.

Es la oportunidad para el turismo de Sudamérica! Y debemos aprovecharla!


Entrevista realizada por Emanuel Da Silva para 7 Star Hoteliers.

Copyright © 2009 The Seventh Star Group. All rights reserved.

Comments

4 Response to '7* Leaders: Gabriela Otto - Directora Regional de Ventas

  1. finanzas

    muy buena nota chicos!
    esta muy bueno conocer las experiencias de gente de afuera, un pais como Brasil que esta tan cerca y esta tan lejos a la vez...cada vez mas!

    Saludos!


  2. Connie

    Increíble Reportaje!!!!!!!
    Una Líder con todas las letras!!!!


  3. G.

    Felicitaciones por la nota! Y felicitaciones a la metalidad realmente progresista de la entrevistada. Son el país más avanzado de Sudamérica porque tienen un proyecto distinto desde 1940...


  4. Priscilla

    Felicidades por la entrevista!!! Está muy buena y llena de energia! Eso es lo que importa en cualquier area de trabajo, que la gente ame lo que haga y que nunca pare de estudiar, actualizar y desarrolarse.

    Latinoamerica tiene mucho potencial en el turismo pero aún falta mucha ayuda del gobierno de los distintos países en involucrarse con esa area.
    Puedese tomar Colombia como un ejemplo de suceso en eso, en pocos años, cerca de 3, con la actuación de Proexport en los principales mercados, consiguieron ya cambiar mucho la visión que teniase de este país como destino de turismo vacacional y de negócios. Ahora Perú de poco está siguiendo el mismo paso.

    Un país como Brasil con toda la riqueza que tiene para turismo tiene potencial de explotar mucho más eso, pero necesita más ayuda del gobierno, fijando-se no sólo en los eventos de 2014 y 2016 pero en todos los otros negócios que podemos ganar. Hay que hacer un plan sustentable en ese sentido.

    Termino por aquí y más una vez felicito la entrevista y invito los lectores a fomentar la discusión.

    Saludos!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As Ilhas mais Luxuosas do Mundo

As ilhas mais luxuosas do mundo, normalmente, não vão aparecer em folhetos de viagens. Pense em uma experiência única, recheada de muito sol, areia branca e um mar azul incomparável. Acrescente instalações de altíssimo padrão e um serviço mais que exclusivo.
É um bom começo para imaginar o que essas ilhas podem lhe oferecer...

Abaixo seguem as 5 melhores ilhas para desfrutar do melhor conforto e requinte, em conjunto com uma natureza exuberante.

1. Harbour Island, Bahamas – Essa ilha oferece uma das praias mais adoradas do mundo, a “Pink Sand Beach”. Ela ganhou esse nome pela cor que a areia fica em função das inúmeras conchinhas que aparecem ao longo da praia, trazidas pelas ondas. A ilha proporciona inúmeras atividades aquáticas, entre tantos outros entretenimentos. Só o que você não vai encontrar é a multidão de turistas.





































2. Turtle Island, Fiji – A ilha ficou famosa pelo filme Lagoa Azul, estrelado por Brooke Shields. A “Ilha da Tartaruga” é o local ideal para viagens românticas, com praias privativas e um resort prá lá de exclusivo.



































3. Fregate Island, Seychelles – Pense no melhor paraíso à beira mar possível. Essa ilha, com certeza, terá esse lugar. Com areia fina, muito branca, e um oceano que parece mudar de cor a cada dia, a Fregate Island, com suas 16 “villas” privadas, é a preferência paraquem quer se isolar, em alto estilo, à beira mar.









































4. Palm Island, Saint Vincent and the Grenadines – A praia “Casuarina” acentua os130 acres de puro luxo tropical da ilha. E ainda disponibiliza um resort extremamente requintado e um restaurante (com classificação no Guia Michelin).







































5. Mustique, South Caribbean – Situada no Caribe, essa ilha é destino preferido da realeza. Do Príncipe Williams, da Inglaterra, até Mick Jagger, é possível encontrar celebridades desfrutando suas férias pela ilha.





































Como dica, sugiro que visitem os sites dessas ilhas (links acima),. Alguns são imperdíveis, lindos!!!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Estratégia de Preços na Hotelaria


Esse meu artigo foi publicado no Hôtelier News. Para ler clique AQUI.

“A maneira como um consumidor percebe um preço – alto, baixo, justo – tem forte influência tanto nas intenções de compra quanto na satisfação de compra”, afirmam Leon G.Schiffman e Leslie Kanuk, no Livro “O Comportamento do Consumidor.”



A verdade é que a implementação de uma estratégia de preços eficaz envolve a mudança de expectativas, comportamento e, muitas vezes, quebra de paradigmas de todas as partes envolvidas.
Clientes deverão entender que serão tratados justamente e que aquelas “táticas de pressão abusivas” não serão premiadas com descontos.
A equipe de vendas aprenderá que será remunerada por negócios que aumentem a lucratividade do hotel, ao invés de usar tarifas somente como um trampolim para incrementar o volume de vendas. O foco será na “qualidade” da venda e não somente no volume.
O Departamento financeiro ampliará sua visão além dos custos para compreender a importância da sinergia entre preço, custo e resposta do mercado.


Maximizar receita através da estratégia de preços é um desafio para qualquer hoteleiro. Quanto de atenção é dada para o “pricing” (precificação) do seu hotel?


Especialistas da HSMAI (Hospitality Sales and Marketing Association International) afirmam que um aumento de receita é 45% mais eficiente se for realizado através do valor das diárias ao invés de ocupação. Isso quer dizer que, anualmente, quando sua tabela de preços for atualizada, vários fatores devem ser analisados com muito cuidado antes da tomada de decisão.


A falta de coerência dessa estratégia pode promover guerra de preços e a nossa hotelaria não precisa (nem pode) vivenciar mais isso.
Portanto, a precificação deve ser clara, justa e baseada na experiência “geral” do hóspede e não só o preço do apartamento.
Uma estratégia de preços precisa atender às necessidades das diferentes demandas de clientes e segmentações.
As decisões referentes a preços devem seguir os seguintes elementos:


• Oferecer flexibilidade para todos os períodos do ano.
• Levar em consideração a necessidade de promoções especiais durante o ano.
• Preços adequados para cada segmento
• Considerar e respeitar a fidelização dos clientes
• Desenvolver ofertas estratégicas, por canal de distribuição.


Ainda hoje, ocorrem muito erros durante a criação e implementação da precificação de hotéis.O mais comum é a visão distorcida do hoteleiro, que define o “valor” do seu hotel através da sua própria percepção.
Na verdade, quem define isso é o consumidor. O quanto “ele” está disposto a pagar ?
Se o hotel não tem uma visão clara disso, seus preços poderão estar criados erroneamente, afetando o posicionamento e a rentabilidade do empreendimento.


Vários fatores impactam no desenvolvimento da estratégia de preços e devem ser estudados a fundo antes de qualquer tomada de decisão. São eles:


Fatores Internos:
• Metas financeiras – devem ser utilizadas como um guia para termos certeza que a estratégia de preços vai atingir o resultado esperado pela marca ou pelos donos/investidores do hotel.
• Produtos e serviços – o “valor” do hotel passa pelo produto e serviço oferecidos.
• Performance histórica – Como foram os resultados anteriores?
• Visão do Cliente – “Valor” real do hotel é determinado pela percepção do cliente.
Fatores Externos
• Condições de Mercado – Como está a situação da oferta e demanda do mercado?
• Posicionamento do hotel perante concorrência – Onde se enquadra o meu hotel em comparação com a concorrência?
• Posicionamento de preço – Geralmente, quando a concorrência baixa seus preços, os gerentes hoteleiros seguem a tendência com medo de perder clientes. A decisão aqui é: você quer ser o “líder” na definição de preços ou um “seguidor”?
• Concorrência – as tarifas da concorrência podem afetar a demanda do hotel e a percepção de valor que o mercado tem sobre seu produto/serviço.
• Público Alvo – O quão sensível a preços é o meu público alvo (“target”)?
• Plano estratégico de longo prazo – Essa estratégia está focada em benefícios a longo prazo x ganho a curso prazo?
• Entrada de novos hotéis – Existem novos hotéis entrando no mercado que vão impactar no “pricing” do meu hotel?


Após essa análise, o hotel deve estabelecer uma tarifa RACK (Tarifa Balcão) adequada e em linha com o mercado, antes de qualquer outra tarifa.
Um aviso: tentar aumentar a RACK com o intuito de aumentar a diária média é um grande erro. A maioria dos negócios não provêm dessa tarifa. Na verdade, uma tarifa balcão muito alta pode até diminuir sua diária média se não for competitiva. Deixar a tarifa balcão a um preço razoável para a compra é a melhor opção.


No processo de precificação (ou “pricing”), além da percepção de valor, outros erros ainda são comuns:
1) Mudar a estratégia – O hotel deve estar seguro da estratégia que traçou. Essa segurança vem da certeza de que o produto/serviço “vale” o preço solicitado. As tarifas devem ser flexíveis o suficiente para atender aos divess segmentos do hotel e, ao mesmo tempo, organizadas o suficiente para que possam ser gerenciadas com eficácia.
2) Não considerar o hotel como um todo – Impossível precificar corretamente um hotel pensando em um grande cliente, ou um segmento, um canal, etc. A visão deve ser holística.
3) Estabelecer estratégia muito complicada – Se a estratégia é muito complicada, também será de difícil execução. Muitos hotéis não dispõem de recursos humanos e tencológicos para manter uma estratégia complexa. Então,mantenha isso simples (“keep it simple”)!


Por fim, cuidado com a “ilusão” de que baixar preços é a solução para sua receita de hospedagem. Existe uma diferença muito grande entre baixar preços e diminuir diária média.


De acordo com a Cornell University, baixar preços traz conseqüências:
• Aumenta vendas rapidamente, mas os riscos do negócio também são maiores a longo prazo.
• Gera custos mais altos com menos receita.
• Oferece tarifas menores que o cliente está disposto a pagar (trade-down).
• Geralmente é uma resposta à concorrência (e todos saem perdendo).
• Descontos em hotelaria não incrementam volume tanto quanto diminuem receita.

Além disso, especialistas falam que são necessários descontos de mais ou menos 30% para influenciar em uma compra. E, no dia a dia, ninguém pensa neste nível de desconto.


Enfim, se você não acreditar que seu produto/serviço tem um diferencial competitivo que valha o preço cobrado, não espere que seu cliente acredite!

De acordo com Lior Arussy, Presidente da Strativity Group e considerado um dos maiores “gurus” do relacionamento (experiência do cliente) da atualidade, “os consumidores buscam preços mais baixos quando não conseguem perceber valor sucifiente no produto ou serviço, ou porque não acreditam que o valor a ser proporcionado será igual ao prometido.”
Pense nisso!


Lembre-se que sua estratégia de preços deve ser clara, justa e baseada na experiência “geral” do hóspede e não só no preço do apartamento.
Valorize seu hotel e não tenha medo de cobrar o preço justo! Boas Vendas!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Comportamento do consumidor durante uma recessão

Esse meu artigo foi publicado no Site Cidade Marketing. Leia AQUI.

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Nessa época de recessão e a possível retomada da economia, o que está se passando na mente do consumidor?
A diferença fundamental dessa crise econômica, em comparação com as anteriores, é que o consumidor está com marcas gravadas na memória. Quando ícones que entendemos como estáveis, como Lehman Brothers, Ford e GM, encaram prejuízos incalculáves, começamos a questionar tudo ao redor.


A consequência disso é que, mesmo com a economia melhorando, os consumidores não vão voltar correndo às lojas e começar a consumir como se nunca houvessem passado por um momento difícil.


No final, o consumidor quer algo útil, que complemente sua vida concretamente. E essa é uma mudança fundamental em compração com o passado.


Isso é quase um mecanismo de sobrevivência, pois o corte nos gastos é tomado em um nível inconsciente. E, se começarmos a economizar por intuição, não questionaremos nunca mais essa prática.

O interessante é ver como as empresas se adequam a esse "novo" cérebro do consumidor. Algumas assumem que ele não tem nenhum dinheiro para gastar, mas estão aprendendo que esse não é o caso. Consumidores ainda têm dinheiro (pelo menos, a maioria), mas a razão pela qual eles não gastam é o medo de não terem dinheiro no futuro.
As empresas precisam apertar o "botão" certo para fazer com que as pessoas se sintam confortáveis para gastar. O melhor exemplo disso foi a Hyundai, que criou uma promoção onde o cliente pode devolver o carro, até um ano após a compra, se perder o emprego, e ser reembolsado.

Esse é uma mudança enorme no que entendemos por marketing.

Outra tática é tornar as marcas funcionais e com dimensões muito práticas. Se tomarmos Luis Vuitton, por exemplo, eles dirão: "No futuro, quando você comprar uma bolsa Louis Vuitton, não será somente a bolsa mais fashion da cidade, mas é reversível. Você pode virá-la e ter uma bolsa vermelha hoje e outra preta amanhã. Então você não precisa comprar bolsas por 4 anos, pois você tem 2 cores em uma."
Também veremos empresas começar a falar mais do passado do que do presente. Assim, o consumidor se sentirá seguro. O tempo estava horrível, a comida ruim e o hotel péssimo. Entretanto, quando olhamos as fotos das férias de 2 anos atrás, esquecemos todas as más memórias. Isso é exatamente o que acontece nas nossas mentes. Empresas começarão a pressionar mais o passado do que o futuro, porque nos sentimos mais seguros e leves como passado. Confiamos mais no passado.Como sabemos que marcas estão diretamente ligadas a confiança, o círculo se fecha e tudo faz sentido.



Isso é exatamente o que Louis Vuitton está fazendo agora. Suas últimas propagandas podem ser vistas com atores que não estão na "crista da onda", mas alguns que fizeram sucesso nos anos 60 e 50. Basicamente, o consumidor sentirá que está comprando o passado.


Em última instância, empresas podem oferecer "justificativas" para o consumidor. A culpa ao comprar um bolsa Louis Vuitton, já que o momento "exige" economia, é eminente. A mulher, ao chegar em casa com a bolsa, já tem o argumento pronto (retirado da propaganda): "Meu bem, mas eu não vou precisar comprar outra bolsa nos próximos 4 anos." Não que isso seja verdade, mas é no que a mulher (e o marido) querem acreditar naquele momento.



Mas os homens não ficam atrás. Hoje, 60% das compras de carros é decisão da mulher. E, quando o amigo pergunta ao marido porquê ele comprou o carro, ele não pode dizer: "Minha mulher adora rosa." Então, o argumento já foi dado previamente pela empresa de carros: Você não sabia que essa janela fecha em 3 segundos? É a janela que fecha mais rápido no mundo."




Agora, se você é consumidor e não quer cair em tentação, seguem algumas dicas:


1) Não leve o cartão de crédito ao Shopping Center. Quando compramos algo com dinheiro, parece bem mais caro e, assim, pensamos melhor e perguntamos: "Realmente preciso disso?"


2) Mantenha a distância. "Eu quero aquela bolsa, mas não comprarei hoje. Vou esperar um dia e, se eu ainda gostar dela a ponto de gastar esse dinheiro, voltarei amanhã para comprá-la." De acordo com estudos sobre o comportamento de consumo, 60% das pessoas que agem assim, acabam não comprando o produto.


3) O mais simples: Não leve seus filhos para as compras. As pessoas gastam 40% mais no supermercado quando levam as crianças. A psicologia é interessante. Quando a recessão está em alta, como pais, não queremos penalizar nossos filhos. "Estamos em recessão, mas meus filhos não devem ser sacrificados por mim." Então, quando vamos ao supermercado com eles, acaba comprando mais do que deveria, pois se sente culpado. E, acredite, eles e as empresas que vendem produtos infantis sabem disso, e vão aproveitar.


No futuro, empresas podem até apelar para o medo. "Use meu produto e, se não usar, alguma coisa ruim pode lhe acontecer."

Tendência assustadora. Mas o fato é que a neurologia, tanto quanto economia, esté impacta no comportamento do consumidor.


Fonte: Livro Buyology: Truth and Lies About Why We Buy - Martin Lindstrom (Consultor de Marcas)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Mercado do Turismo de Luxo

Esse meu artigo foi publicado no Site Gestão de Luxo da FAAP dia 27/10/2009, na edição 101. Leia AQUI.
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Por mais de oito anos, ILTM (International Luxury Travel Market) continua sendo o principal evento mundial do turismo de luxo. Ela ocorre todo final de ano em Cannes, França, reunindo as melhores agências, operadores, hotéis, companhias aéreas, navios e demais empresas que compõem o setor. Estamos falando de um segmento que representa 3% do total dos viajantes mundiais, mas é responsável por 20% do seu faturamento.
Mais de 1.400 fornecedores e 1.200 compradores debatem durante quatro dias as tendências e especificidades desse fascinante mercado, totalmente baseado em detalhes e valores intangíveis.
No final do ano passado, o assunto, claro, foi a sustentabilidade deste segmento em uma época de crise de confiança mundial. A resiliência presente impressionou, visto que 60% dos participantes acreditavam que o turismo mundial de luxo continuaria a crescer. Considerando o aumento de 10% ao ano, nos últimos cinco anos, o otimismo até era justificado. 
Mas qual o real impacto da crise econômica no mercado de turismo de luxo?
O primeiro assunto amplamente debatido em Cannes foi onde mexer caso seja inevitável o corte de custos. Entre os presentes, 43% acreditavam que custos operacionais seriam os mais afetados e 30% ainda pretendiam reduzir preços. Executivos de hotéis de alto luxo do país afirmam que a redução, se existir, é mínima e, em nenhum momento, é cogitado corte de pessoal.
A maior preocupação é não mexer, em hipótese alguma, no valor agregado oferecido ao cliente. A eliminação de burocracias e processos até é considerada, mas o cuidado em manter o luxo tangível para os hóspedes se mantém em alta nas decisões estratégicas.
Entretanto, ao falar de preço, após uma década de demanda global sem precedentes para o luxo, a recessão afetou o “pricing” de muitas empresas. Se na ILTM se falava no investimento na qualidade de serviços com a intenção de minimizar, ou até esquecer, o impacto do preço, a Consultoria Bain & Co prevê uma queda de 7% no mercado de luxo (não só turismo) até o final do ano.
“Desconto”, palavra proibida no dicionário desse setor, está na pauta da maioria das empresas de turismo dos Estados Unidos esse ano. Nesse país, destaca-se a maior queda na demanda e o dólar não favorece a manutenção de uma margem mínima de lucro, fazendo com que empresas referências de luxo reduzam de 7% a 10% seus preços para o mercado americano. Mesmo com o último relatório do “Luxury Consumption Index” (LCI) apontar 11% de incremento dos gastos com luxo em comparação com o ano anterior, a situação ainda está longe de se normalizar.

No Brasil, os preços se mantiveram, mas a flexibilidade para renegociação com fornecedores e as propostas comerciais com maior valor agregado estão cada vez mais presentes.

Entre profissionais do ramo é unânime a sensação de que muitos clientes, principalmente corporativos, encontram no “medo” que paira sobre o mercado uma oportunidade de exigir redução de preços. Poucos têm sucumbido à pressão. Fechar um contrato de risco como esse descaracteriza o posicionamento de luxo e dificulta imensamente o retorno aos valores iniciais após a má fase. Agregar benefícios realmente tem sido a chave para não cair na armadilha de baixar preços. Com a confiança do cliente e a consistência da marca, é possível minimizar o impacto da crise.


Se tomarmos como base de decisão a crença em preços elásticos, consumo racional e recessão global, redução de preços até faria sentido. Entretanto, se há o entendimento do “sonho” do luxo, mesmo em tempos austeros, verdadeiras marcas continuam brilhando, proporcionando prazer e mantendo sua visão de longo prazo.

No final do ano, 77% dos presentes no evento disseram que manteriam ou aumentariam seus investimentos em marketing. Confirmando a tendência, agências de viagem de luxo de São Paulo, também presentes no evento, garantem que mantiveram seus investimentos em marketing e reforçaram ações “one to one”, com foco no cliente final. Tomar a iniciativa, adotando uma postura mais agressiva, virou regra de sobrevivência. As agências devem mostrar ao cliente que ele pode comprar produtos/serviços com a mesma qualidade de antes, com maior valor agregado. O desafio aqui está em manter seu posicionamento de mercado fazendo isso não parecer uma promoção, uma super oferta.
Com relação ao comportamento do consumidor, os “late bookings” tornaram o mercado imprevisível e quase nenhum hotel tem conseguido fazer um “forecast” preciso no decorrer do ano.
Outro desafio é a distribuição com abrangência inteligente e a associação da marca com outras que lhe suportem nesse caminho difícil de posicionamento de luxo.  Manter-se acessível (com uma distribuição eficiente) e ainda sustentar sua exclusividade é a chave do sucesso no mundo atual.

Quase 90% dos presentes na ILTM acreditaram que precisaremos de um a dois anos para a recuperação total do mercado. Hoje, sabemos que Estados Unidos e Europa precisarão de mais tempo para se estabilizarem. Entretanto, o que vemos no Brasil é uma retomada da economia e o mercado voltando a crescer. A notícia ainda não é perfeita para os hotéis de alto luxo do país que mantêm uma média de 80% de ocupação, ou mais, de hóspedes estrangeiros. Isso significa executivos viajando a negócios e famílias saindo de férias, o que mantém o mercado de turismo de luxo movimentado.
Em resumo, manter preços e reforçar parcerias com os clientes e fornecedores é a chave do sucesso nesses tempos de instabilidade. A força de um mercado que já lidou com impactos enormes, como o 11 de setembro e, ultimamente, a nova gripe, certamente merece crédito.
Quem consome luxo continuará comprando. A maior cautela e a valorização do seu dinheiro vão unir-se ao processo de compra que se torna a cada dia mais customizado. Viajantes querem “significado”, cultura e emoções.

Neste ano, a feira já está marcada e acontece de 7 a 10 de dezembro no Palais de Congrès, em Cannes, França. O tema do Fórum será “Travel Beyond Expectations”.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Hotel 2.0

Esse meu artigo foi publicado no Hôtelier News. Para ler, clique AQUI.

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De acordo com especialistas, “o termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web, tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.”

Nesse novo ambiente, as redes sociais tomam a dianteira e, longe de serem uma “moda passageira”, definem uma mudança fundamental na forma como nos comunicamos hoje.

Se você ainda tem alguma dúvida, leia os dados abaixo, divulgados pelo especialista em “networking online”, Erik Qualman, autor do livro “Socialmonics: How social media transforms the way we live and do business” (ainda sem tradução para o português):

* Em 2010, a geração Y (nascidos entre os anos 80 e 90, até 1994) vai passar em números os “baby boomers” (nascidos entre 1945 e 1955) e 96% deles já se associaram a uma rede social.
* A mídia social ultrapassou a pornografia como atividade nº1 da internet
* 1 em cada 8 casais, que se casaram nos EUA no ano passado, se conheceram via mídia social.
* Para chegar a 50 milhões de usuários, o Rádio levou 38 anos, a TV, 13 anos, a Internet, 3 anos. O Facebook atingiu 100 milhões de usuários em 9 meses.
* Se o Facebook fosse um país, ele seria o 4º do mundo.

* 80% do uso do “Twitter” é através de aparelhos móveis (imagina o alcance de uma má experiência de um consumidor)
* As gerações Z (nascidos a partir de 1995) e Y consideram o email fora de moda.
* YouTube é a segunda ferramenta de busca no mundo.
* Estudos mostram que o Wikipedia é mais preciso que a Enciclopédia Britânica.
* Existem mais de 2 milhões de Blogs e, 54% dos blogueiros postam ou “tuitam” diariamente.
* 34% dos blogueiros postam opiniões sobre marcas e produtos.
* 25% das buscas das marcas Top 20 do mundo são de conteúdos de links criados por usuários.
* 78% dos consumidores confiam em recomendações que encontram na internet. E apenas 14% acreditam em propaganda convencional.

Obs.: Se você tem entre 30 e 40 anos e não encontrou sua “geração” no texto acima, ela se chama X”. Existem estudos interessantíssimos sobre o perfil de consumo de cada uma dessas gerações.

Em pesquisa realizada em abril de 2009 pela Netpop Research, LLC para o Google Brasil, dentre os produtos que os internautas gostariam de ver anunciados online estão: tecnologia, mídia, empregos e telecomunicações e, para nossa alegria, viagens. Não é à toa que a Embratur já abraçou as mídias sociais para promover o Brasil no exterior. Exemplo disso é o excelente conteúdo do seu “twitter” (www.twitter.com/VisitBrasil), inaugurado em Julho desse ano.

Mas, como incluir um hotel nesse mundo sem perder a idéia de personalização e qualidade de serviço que, normalmente, é a base para a construção de uma marca no segmento hoteleiro?

Afinal, se os “potenciais hóspedes” estão utilizando plataformas diferentes para pesquisar sobre suas viagens, seu hotel deve estar lá “enquanto” isso acontece.

Está provado que um “social networking”, consistente e eficaz, ultrapassando os limites da sua “homepage”, realmente pode fazer seu hotel ganhar força, aumentar a fidelização, incrementar volume de vendas e, de fato, manter a imagem da marca (conquistada com tanto tempo e esforço).

Entretanto, ao navegar por sites como Facebook, TripAdvisor, You Tube, Hi5, Flickr, Orkut, RSS Feeds, Twitter, entre outros (existem muito mais de 500), fica claro que muitas empresas se aventuram nesse “novo mundo” sem nenhuma estratégia e acabam abalando a imagem da sua marca.

As empresas de maior sucesso no assunto focam em alguns itens básicos:

1) Um canal de vendas dedicado

Exemplo: Expedia – transforma as conversas do “twitter” em “leads” (solicitações de negócios). Nada mais poderoso do que ter uma conversa interativa com seu cliente no meio do processo de decisão.

2) Um canal especializado em informações, artigos, notícias e promoções.

Exemplo 1: Revista Veja, Revista Exame, Hôtelier News, Jornal Nacional, New York Times, entre milhares de outros, usam as redes sociais para divulgarem seus artigos, informações, notícias, idéias.

Exemplo 2: Emirates, que produziu o mais longo comercial pela internet do mundo para promover o vôo Dubai – São Paulo. São 14 horas e 40 minutos de comercial (o mesmo tempo que leva o vôo), onde um brasileiro, Fernando, fala sobre sua cidade, São Paulo. Vale a pena assistir, pelo menos alguns minutos: www.nonstopfernando.com (em inglês).

3) Engajamento com a sociedade e veículo voltado ao serviço do cliente.

Exemplo disso foi um hóspede americano, descontente com a falta de pão integral no café da manhã de um hotel, postou no “twitter” sua insatisfação. Minutos depois, um outro hotel, da mesma rede em que ele estava hospedado, respondeu ao hóspede dizendo que o cardápio “à la carte” do hotel dispunha de uma variedade imensa de pães e que poderiam ser solicitados a qualquer hora do dia. Ele não viu a mensagem a tempo, mas, assim que leu a mensagem, contou a história para muitas pessoas na sua rede de contatos. Alguns meses depois, em uma outra estadia na mesma rede, minutos após o “check in”, batem em sua porta e ele recebe uma linda cesta com 3 tipos de pão integral, com manteiga e geléias variadas, com o seguinte cartão: “Lembramos do seu pão preferido e escolhemos esses especialmente para você. Aproveite sua estadia. Conte sempre com seus amigos do Hotel X.”

Ainda estamos longe de aproveitar todo o potencial da internet a ponto de criar um relacionamento com o cliente “online”. Mas alguns hotéis já estão “ensaiando”.

Só é preciso ter cuidado. De acordo com Cláudio Torres (www.claudiotorres.com.br), autor do livro “A Bíblia do Marketing Digital”, as pessoas entram na internet para se relacionarem, se divertirem ou buscar informação. As empresas devem cuidar para não serem invasivas ao promover seu produto. A melhor saída é ser fonte de informação. Importante também é não esquecer as ações “offline”, como a “brand experience”, onde o cliente consegue “vivenciar” a marca.

Apesar de 62% do tráfego brasileiro da internet passar pelas redes sociais, vemos pouquíssimas iniciativas como essa no País. O potencial e oportunidades por aqui são imensos.

Outra questão importante é a conexão de um hotel de luxo com as redes sociais. A importância da marca no marketing de luxo é incontestável e o cuidado deve ser redobrado. Nesse caso:

· Deixe o cliente “sentir” a promessa da sua marca. A importância de criar um elo emocional do cliente com a marca, no segmento de luxo, muitas vezes, vai além do produto ou serviço oferecidos.

· Encontre seus fãs mais ardorosos. Além dos clientes que já compram a marca, é importante nutrir o relacionamento com aqueles que “aspiram”, que “sonham” com ela. Assim como meninos que sonham, hoje, em ter uma “Ferrari”. Esse tipo de ação pode assegurar que, quando puderem pagar por um carro de luxo, não hesitarão na escolha da marca.

· Crie experiências exclusivas. Um ponto muito positivo nas mídias sociais é a quantidade de oportunidades disponíveis para a criação de networks privados ou informações especiais, somente acessado por clientes ou VIP´s. Oferecer algum benefício exclusivo, que não é aberto ao público, pode fazer a diferença e fazer o cliente se sentir realmente especial.

· Procure por oportunidade de produtos e serviços. As pessoas falam sobre tudo online. Fique atento e talvez possa surgir a idéia de um novo serviço que as pessoas “desejam”, mas ainda não encontram em nenhum outro hotel.

· Identifique problemas e/ou crise da sua marca. A informação “em tempo real” proporciona que opiniões negativas sejam detectadas e minimizadas antes mesmo de se tornarem um problema de maior amplitude. Só isso já justificaria o investimento em escutar o que as pessoas estão falando sobre sua marca na internet.

Mas, se seu hotel ainda não está “conectado” com esse mundo online, seguem algumas dicas:

1) Comece devagar. Importante se sentir seguro. Fica claro quando alguém não está confortável “online”. Não é qualquer colaborador que pode “falar” pela sua empresa na internet.

2) Promova idéias e informações fáceis de serem espalhadas, que as pessoas tenham vontade de “repassar” para outras.

3) Seja sempre autêntico. Transparência e consistência são vitais “on-line”.

Realmente ter uma presença maciça na internet não vai valer de nada se o conteúdo não for relevante para o cliente. Indo mais além, não vai valer de nada se, esses mesmos clientes, interagirem perfeitamente com sua marca “online” e não comprarem nada.



Para ilustrar o assunto, de acordo com pesquisa da Altimer Group e Wetpaint, as empresas que investiram em mídias sociais nos últimos 12 meses, cresceram, em média, 18%. As empresas que investiram menos ou se mostraram pouco engajadas, diminuíram 6%, em média, sua receita no mesmo período. A pesquisa foi feita com as 100 empresas mais valiosas do mundo, listadas pela Business Week.

Por outro lado, é importante lembrar que a expectativa de retorno, aqui, deve ser vista de forma diferente. Não estamos falando de compra imediata, mas em “criar um diálogo” entre hotel e cliente. O assunto aqui é “conversa”, ouvir a voz do consumidor, saber “por que” ele compra ou por que não compra seu hotel. Estamos falando de relacionamentos personalizados. De acordo com Marco Fidélis, da Prestige Consultoria, que mantém o site www.portaldoluxo.com.br e especialista em web marketing, “a Web 2.0 é uma poderosa ferramenta de CRM (Customer Relationship Management), ou seja, foco nos clientes atuais.”.

Deixar seu público saber que está “ouvindo” suas reclamações e cuidando da solução para o problema já vale a presença consistente nas redes sociais. Só não espere resultados imediatos. Isso é a construção de um relacionamento de longo prazo (que também podemos chamar de “branding”), que pode influenciar o consumidor a considerar sua marca em uma decisão de compra no futuro.

Portanto, cuidado com grandes investimentos “online” sem estratégia. É necessário planejamento e profissionais experientes para cuidarem do assunto. Marco complementa: “Existe um perigo ainda maior que é a falta de consistência. Se entrou, é para ficar. Errou, é para corrigir e não sumir. Nunca criar um twitter ou uma comunidade e não atualizá-la corretamente ou não responder aos comentários. Consistência acima de tudo!”

Como dito acima, o importante é iniciar devagar. Para tanto, o monitoramento do seu hotel ou sua marca na internet é um bom começo. De imediato, pesquise periodicamente seu hotel no Google e Yahoo, fazendo disso uma prática formal, analisada e com tomada de ação, quando necessário. À médio prazo e com recursos adequados, inclua a concorrência nessa pesquisa.

Essa prática de monitoramento e análise constante da reputação de um profissional ou empresa na internet já é prática comum no mundo dos negócios. A expressão “ORM - Online Reputation Management” (Gerenciamento da reputação “online”) existe há algum tempo e deve ficar cada vez mais popular no Brasil.

Quem sabe, em um futuro próximo, seu hotel não tenha um profissional especializado em cuidar da reputação “online” da sua marca?

Por fim, aproveite toda a tecnologia disponível, mas não esqueça que mídia e redes sociais não são a solução para todos os seus problemas. O foco continua sendo a consistência da sua marca e, por consequência, a lucratividade de seu hotel.


E já que falamos de “networking” pela internet, será um prazer trocar idéias com você pelo Twitter. Estou sempre postando alguma coisa referente à Marketing, Luxo e Hotelaria. Para “tuitar” comigo, acesse www.twitter.com/gabrielaotto ou, para os que já estão conectados no “microblog” de 140 caracteres @gabrielaotto
Veja o vídeo "sensacional" que fala sobre o estudo do livro Socialmonics, acima citado.

Nome: Social Media Revolution (Revolução das Mídias Sociais)

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Aman Resorts - Luxo por quem entende do assunto

Uma rede com 23 pequenos resorts, oportunidade de vivenciar uma eperiência única através de um altíssimo nível de serviço, "saborear" o autêntico luxo "low profile", intimista e discreto.

Bem-vindo ao luxuoso mundo dos Aman Resorts (vale a pena entrar no link para o site deles...lindo!)

A marca surgiu em 1988, com o hotel Amanpuri (lugar de paz) em Phuket, na Tailândia.

Como característica, a rede sempre procura circunstâncias expecionais para sua localização, onde cultura e história combinem com um ambiente de natureza espetacular.

A "grade sacada" rumo a um posicionamento consistente de luxo é o foco em qualidade, o estilo de vida contemporâneo e a certeza que não querer ser "os maiores". O indonesiano AdrianZecha , fundador da cadeia, reforça: "Nós preferimos nos manter pequenos, de maneira intimista e envolvente. Não é porque somos menores que nos tornamos melhores que outros grandes hotéis. Nós somos somente diferentes. Isso é tudo."
Com um fundador assim, fica claro a excelente imagem da Aman e seu reconhecimento pelos clientes mais exigentes no mercado de turismo de luxo.

No Brasil, o primeiro Aman Resort está previsto para desembarcar em Alagoas (Coruripe - Praia de Pituba e em Angra dos Reis (com investimento de US$ 70 bilhões) e com previsão de abertura para o fim de 2010. eles vêm completos, com suas dezenas de piscinas, símbolo da marca.
Com unidades na Índia, China, US, Croácia, Montenegro e Laos, a idéia é mesmo sair dos grandes centros urbanos.
A Amazônia também está em seus planos.

Não é a toa que são conhecidos por terem as diárias mais caras do mundo (em torno de US$ 900). Se compararmos com a Leading Hotels of the World, a média de suas diárias é US$ 563.

"No Brasil faltam produtos de primeira linha e nós vamos trazer". Essa frase do fundador da rede (com a qual eu concordo totalmente), mostra como o Brasil ainda tem oportunidades para explorar todo seu potencial de turismo de luxo. Estou torcendo!










sábado, 17 de outubro de 2009

O Futuro do Mundo e dos Negócios

No mundo corporativo, conseguir antecipar tendências pode auxiliar, e muito, na tomada de decisões.
Muita coisa pode-se tirar de interessante quando o estudo é bem embasado. Por outro lado, é importante termos bom senso ao ler tudo o que a internet dispõe sobre uma "futurologia" descabida e sem pesquisa séria por trás.
A idéia aqui é passar links e autores de renome para um estudo mais aprofundado.

Alguns livros e muitos debates são feitos ao redor do assunto. Abaixo seguem 2 livros dos mais conhecidos.
1) "The World in 2020 - Power, Culture and Prosperity: A vision of the Future" - Hamish McRae (renomado jornalista europeu do jornal "The Independent").
2) O Relatório da C.I.A. Como será o Mundo em 2020



Mesmo assim, meu autor favorito sobre o assunto continua sendo Alvin Toffler, que falou sobre a "Terceira Onda" e faz previsões mais voltadas para o mundo dos negócios.
Nesse livro, ele separa os sistemas socioeconômicos em três ondas, acreditando na prevalência da terceira: a primeira corresponderia ao setor agropecuário e extrativista, a segunda à indústria, e a terceira aos serviços e informações.
Ele foi um dos primeiros a afirmar que a China pode se tornar uma grande potência no futuro próximo, se não quebrar devido ao desenvolvimento acelerado demais. Entretanto não consegue enxergá-la como potência econômica em 2020.

Outra grande previsão, foi o foco em "nichos" de mercado e o aumento incrível das vagas em "serviços" que essa tendência abrirá em todos os países.

Já de acordo com McRae, as forças que provocam mudanças são:

1) Dados demográficos (Pessoas)

Previsão de passar de 5 para 8 bilhões de pessoas até 2020 e chegar ao dobro (10 bilhões) até 2035.

2) Temores relacionados aos recursos naturais (Meio ambiente)

A maior preocupação fica por conta da água potável, podendo influenciar na migração de pessoas para locais onde seja mais abundante.

3) Processo de Globalização

O mundo dividido em blocos não é mais novidade, mas ele já falava disso muito antes.

4) Tecnologia

O uso da robótica no nosso dia a dia também já era falado por ele. A interação com outras pessoas sem sairmos do conforto da nossa casa foi prevista pelo jornalista a mais de 10 anos atrás. E não só isso, falava em revolução na engenharia genética e o total aproveitamento da energia solar para nossa eletricidade também.

5) Mudanças nas regras de governo e o impacto que terão na sociedade. (Economia)
A sociedade ainda terá o Estado como referência e ele ainda estará como poder dominante.

Outra previsão interessante é sobre a Cultura, que tomará um lugar de destaque, acima da tecnologia e manufatura. A habilidade da sociedade para tornar o país mais competitivo será fundamental.

Para ler o livro do McRae online (em inglês), clique AQUI.

Tudo bem, seu interesse é mesmo o futuro da internet?
Então que tal falarmos do futuro com o "cara" do momento, Eric Schmidt, CEO do Google desde 2001?

Dentre outras coisas, ele comenta: "Será uma tragédia se cada país construir uma espécie de polícia em torno de sua internet [no Brasil, por exemplo, essa questão está em tramitação no Congresso Nacional]. É muito melhor usar outras abordagens para se assegurar de que o que for legal em um país e ilegal em outro não vá de um para outro sem a supervisão apropriada."

Para ler a entrevista inteira, clique AQUI.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Como Resgatar uma Carreira?


Olha que legal...fui uma das 10 pessoas que ganharam o concurso cultural da VOCÊ RH e da Editora Gente.
O desafio era responder a pergunta: O que fazer para reinventar ou resgatar uma carreira que se tornou maçante e sem sentido?”
O prêmio....um exemplar do recém lançado livro "Identidade de carreira (a experiência é a chave para reinventá-la)", de Herminia Ibarra.

Abaixo minha resposta:

“Mude o tempo verbal da sua vida. O IMPERATIVO está sempre nos cercando. N
o mercado de trabalho, em palestras, nos MBAs ou lendo artigos na Você S.A., ouvimos o tempo todo: Nunca pare de estudar! Cultive seu networking! Assuma riscos!
Mas, na verdade, o nosso tempo verbal (aquele, escondido lá no fundo, e,que muitas vezes, só nós conhecemos) é o FUTURO DO PRETÉRITO: Eu "gostaria" de ganhar mais. "Seria" ótimo ter mais tempo para mim e minha família. Eu "poderia" trabalhar com algo que me desse mais prazer.
A chave do sucesso e o principal conselho para reinventar ou resgatar uma carreira é simples: INVISTA NO FUTURO DO PRESENTE!
Conquistarei uma posição de diretor, nesta ou em outra empresa, até meu próximo aniversário. Voltarei a universidade para estudar medicina e trabalhar no que sempre sonhei. Vale até o modo COMPOSTO: Eu vou conseguir!
Para terminar, sugiro um plano de ação com datas e objetivos bem determinados.
Além disso, peço permissão para voltar ao IMPERATIVO: REINVENTE-SE! RESGATE-SE! Tudo depende de VOCÊ, e de mais ninguém.

Gabriela Otto – Vendas

Para ler as outras frases ganhadoras, clique AQUI.

domingo, 11 de outubro de 2009

A Essência do LUXO

A MCF Consultoria, que organiza o evento ATUALUXO, elaborou um vídeo muito interessante, falando sobre os principais itens que compõe o luxo e seu ambiente.

Valea pena dar uma olhada no vídeo.

Quem disse que luxo não é essencial?

video

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Gestão de Hotelaria de Luxo

O Brasil deve se orgulhar. Temos o primeiro MBA de Gestão de Hotelaria de Luxo do Mundo.
O mercado de luxo evoluiu muito e está exigindo profissionais cada vez mais capacitados, conhecedores das exigências de um hóspede que paga R$ 1.800 uma diária de hotel, além, claro, experientes nesse tipo de segmento.
A iniciativa de Roberto Miranda, consultor e reitor da Universidade Roberto Miranda (URM), nome reconhecido no mundo hoteleiro, é louvável e já recebeu altíssima aceitação dos profissionais do ramo.




E não é para menos. O aluno tem à disposição o melhor a ser oferecido por um MBA de alto padrão: foco no marketing internacional, estudo de “cases” reais de excelência em prestação de serviços, corpo docente composto pelos melhores especialistas do mercado, aulas via vídeo conferência com executivos de outros países, além da novidade: extensão internacional no famosíssimo Hotel Burj Al Arab, em Dubai.

As aulas no Hotel Fasano e outros hotéis de luxo de São Paulo, o curso, iniciado em 2009, teve suas turmas lotadas rapidamente. As inscrições já estão abertas para 2010 através do site: www.urm.com.br

É um prazer integrar o corpo docente do curso a partir de novembro/2009.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Futuro da Distribuição na Hotelaria

Esse meu artigo também foi publicado no Hôtelier News AQUI.
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O custo de distribuição pode chegar a 35% da receita de apartamentos. Esse simples fato já é motivo suficiente para donos e gerentes de hotéis, no mínimo, estudarem mais e investigarem profundamente como seu hotel vem trabalhando o assunto. Se falarmos do impacto no marketing, a importância aumenta, e muito.
Mas o que efetivamente é distribuído por um hotel? São 4 categorias de informação:
1) Tarifas.
2) Disponibilidade.
3) Informações descritivas como: tipos de apartamentos, tipos de pacotes, localização, “amenities”, contato, espaço para eventos, etc.
4) Informações visuais do como: fotos e vídeos.
Sobre essa última categoria, vale um comentário: cada vez mais, agentes de viagens não estão buscando somente preços mais baratos, mas a “melhor” opção de preço, com a promessa da “melhor” experiência. Um estudo conduzido pela Forrester Research (empresa de tecnologia e pesquisa de mercado), no início de 2009, descobriu que 37% dos turistas de lazer americanos evitam reservar um hotel pela internet se não conseguem ver fotos, vídeos ou descrições que os façam sentirem confortáveis com o empreendimento.
Mas para entender como chegamos à atual (e imensa) gama de “intermediários”, é importante voltarmos um pouco na história.
Nos anos 90, a distribuição emergiu como uma tarefa técnica.
Com o passar dos anos, o foco em reservas ficou de lado para dar lugar a uma plataforma de promoção. E, desde 2006/2007, o engajamento do consumidor em uma base que exerce as duas funções (reservas e marketing), se consolida.
O gerenciamento de distribuição mudou o foco de tecnologia e controle de custos para marketing e Revenue Management. Hoje, toda a estratégia de comunicação e marca deve ser desenvolvida ao redor da distribuição eletrônica.
Para quem ainda tem alguma dúvida (se é que exista alguém...), é só lembrar o discurso de gestores de viagens ligados à ABGEV (Associação Brasileira de Viagens Corporativas), afirmando que a segunda maior despesa das grandes empresas, depois da folha de pagamento, é de viagens corporativas. E, com o objetivo de melhorar o monitoramento e controle sobre suas despesas de viagens, têm investido pesado na utilização de reservas eletrônicas.
Essa é mais uma das atividades que têm por objetivo a maximização de receita nos hotéis, convergindo para uma única estratégia. A idéia é que não existam mais dois planos, de Distribuição e Marketing, ou “experts” técnicos, sem visão de mercado e consciência do posicionamento de marca.
Mas quem está por trás disso? Que público é esse que orquestrou essa (re) evolução?
Um alto nível de personalização, conveniência (através de sites 100% online) e transparência são algumas das exigências do consumidor atual. Com esse novo comportamento de compra, houve uma explosão do número de sites que oferecem a construção de planos de viagens, buscas por exclusividade e espaços onde turistas podem descrever suas experiências.
O controle dos diálogos online, relacionados à imagem de marca e padrões de produtos/serviços, passou para a mão do cliente, que não quer mais ser enquadrado como lazer, corporativo ou grupo. A demanda por específicos nichos de mercado aumentou muito.
Na tentativa de atender esses nichos, a proliferação de canais e oportunidades de marketing “híbridos” parece não ter fim. Como classificar um “site” onde o cliente entra em busca de informação, abre espaço para relatar suas experiências e ainda oferece uma plataforma de mídia onde é possível promover sua marca?
Com a expansão da tecnologia disponível, os hotéis já podem interagir com os clientes em cada ponto de contato durante o processo de compra.
A estratégia de distribuição mudou e deve ser elaborada para dar suporte aos objetivos de marketing e receita.
O objetivo agora não é só baixar custos e aumentar volume de reservas, mas assegurar um alto nível de interação e envolvimento com o cliente enquanto isso. A “corrida” é pelo relacionamento e não o volume de “clicks” em sua “homepage”.
A distribuição eletrônica está altamente dispersa e inclui:
* Sites de busca como Google e Yahoo.
* Sites de viagens como Kayak, Sidestep e Upstake. No Brasil, o Buscapé Viagens.
* Rede Social de viagens como TripAdvisor (controlado pelo Expedia) e VibeAgent.
* Portais promocionais como TravelZoo e Hotelrooms.
* Sites de planejamento de viagens como NileProject e Road Warrior.
* Sites de viagens gerais como Yahoo! Travel e Expedia (Hotéis.com, na versão brasileira). No Brasil, o Submarino, Decolar.com, TAM Viagens, entre outras.
* Sites de destino.
* Sites de hotéis.
* Além de centenas de sites que oferecem informações de viagens, reservas ou links para sites de reservas.
O mix de canais eletrônicos complicou, e muito, o gerenciamento de distribuição nas redes hoteleiras e vem exigindo adaptações na organização, no orçamento e na alocação de recursos, com o objetivo de manter uma presença “online” efetiva.
Entrando mais no detalhe dos principais canais de distribuição (GDSs, Centrais de Reservas e Internet), importante analisarmos os GDSs mais a fundo.
No final dos anos 70, as agências de viagens usavam GDS (Global Distribution Systems) para facilitar as reservas nas companhias aéreas. Com a redução de custos que os meios eletrônicos proporcionaram, em 1999, 20% de todas as reservas efetuadas nos EUA já eram através de GDS´s. Os 2 maiores concorrentes eram Sabre, da American Airlines, e Apollo, da United Airlines. Além, claro, dos inúmeros outros de menor amplitude.
Com isso, os custos para a hotelaria também aumentou, pois construir interfaces compatíveis com cada GDS não saiu nada barato.
Hoje, de acordo com o Travelclick (provedor de soluções para distribuição interativa e serviços de marketing para hotéis), o Sabre possui 50% do “share” (participação) de mercado, a TravelPort (que engloba Galileu e Worldspan), 36% e o Amadeus, 14%.
Em 2000, 1 em cada 5 reservas nos EUA eram eletrônicas (GDS e internet juntos). Na distribuição antiga, os agentes de viagens mantinham o relacionamento com o cliente e os GDS´s gerenciavam as conexões entre fornecedores e distribuidores. No modelo novo, os GDS´s começam a adquirir sites com contato direto com o consumidor e tentam dominar o “novo” canal chamado internet.
Mesmo com todos os “fees” (taxas) por reserva, cobrada pelos GDS´s e que recaíam sobre os hotéis, as reservas provenientes de canais eletrônicos ainda eram mais baratas que central de reservas. Uma prova clara dessa vantagem são os números: o volume de reservas pelo GDS’s aumentou 10 vezes em 20 anos (1980 a 2004). Entretanto, em 2004, enquanto os GDS’s ainda apresentavam altos números de produtividade, a internet explodiu, aumentando sua produção 15 vezes em 5 anos (1999 à 2004).
Em 2005, então, começou a “Era do E-commerce”. O advento dos sites de diálogo e troca de idéias e informação, viraram febre.
Desde 2008, as centenas de sites já eram dependentes de diálogos de consumidores e milhares de debates interativos, avaliações de fornecedores, sugestões de viagens e troca de informações relevantes em tempo real.
A internet oferece vantagens estratégicas incontestáveis:
1) Amplitude da empresa aumenta, atingindo mercados mais globais.
2) Redução de custos (em comparação com canais tradicionais como GDS’s), evitando comissões e diminuindo “transaction fees” (taxas por transação).
3) Melhora do serviço ao cliente, oferecendo mais e melhor informação, com recursos multimídia.
Hoje, a internet é, comprovadamente, o único canal de distribuição que cresce no mundo.
De acordo com estudos da PhoCusWright, ARC e HeBS’ (Hospitality eBusiness Strategies), todas empresas de pesquisa de mercado, as reservas através da internet representaram 54,8% do total do volume de reservas das 30 maiores marcas hoteleiras do mundo. Desses, 70,1% é proveniente do próprio site da marca e, 29,9%, das “Third Party/OTAs” (Online Travel Agencies).
Completando o total da distribuição, 22,7% ainda provêm de reservas por GDS e, 22,5%, de centrais ou departamentos de reservas dos hotéis.
Em comparação a 2008, a internet aumentou seu “share” (participação) em 7,2%, longe da queda de 4,6% do GDS e 2,6% das reservas via telefone.
Para deixar clara a tendência de mercado, é só fazer um retrospecto e lembrar o ano de 2006, quando os GDS’s correspondiam a 31,3% do total desse volume.
Não tem como negar que a mudança dos canais “offline” para “online” é permanente. Não tem volta!
O conselho geral continua sendo: continuar investindo nos canais “online” diretos (sua “homepage”). É necessária uma estratégia robusta e investimento em marketing para tirar vantagem do crescimento da internet e mudar o volume de reservas “offline” para “online”.
A otimização da sua “homepage”, email marketing, propaganda online, sites de busca pagos e presença com eficiência nas mídias sociais, podem fazer toda a diferença. E não corte o “budget” de marketing, pois investir nessa área é, hoje, o melhor e mais rápido retorno sobre investimento (ROI) do mercado. A HeBS acredita que as viagens online, especialmente as que entram por canais diretos, são a única opção viável de crescimento durante uma recessão.
Um site hoteleiro altamente competitivo deve priorizar:
· Design e estrutura (um assunto relevante por página e sempre um clique para voltar à “homepage”),
· Fotografias profissionais (com possibilidade de rápido “download”)
· Espaço para interatividade com clientes (criando credibilidade)
· Ferramenta integrada de reservas online (deixar à disposição sempre um “link” para reservas em todas as páginas)
· Página exclusiva para pacotes e ofertas especiais (agregar valor para oferecer um “bom negócio”)
Feito isso, investir em tecnologia para saber o índice de conversão do site (divisão do número de reservas online pelo número total de visitantes). Quando o índice atingir 5% à 10%, é hora de investir mais na estratégia de mídias sociais (assunto para um próximo artigo). Ou seja, o “caminho” de um hotel pela internet parece, hoje, não ter fim.
Outra dica é investir na “educação” do mercado. A grande procura por sites de “last minute” (reservas de última hora) pode ser o principal inimigo de um planejamento tarifário. Pode até haver um volume interessante de clientes em certas ocasiões, mas também acaba acostumando esse cliente a não mais se planejar e esperar o preço baixar no “last minute”. Criar promoções para compras antecipadas certamente é o melhor caminho.
Especialistas em e-commerce do mercado hoteleiro explicam que a distribuição eletrônica no Brasil, diferente da Europa e USA, não oferece um amplo leque de opções de transporte ou hospedagem. Por mais que haja inúmeros estabelecimentos, nem todos têm a tecnologia mínima necessária para terem suas disponibilidades e tarifas em tempo real nos sites terceiros, como Expedia e similares. Vendo por esse ângulo, As estatísticas acima podem ser um pouco mais baixas no Brasil, mas esse “futuro” já começou e precisamos estar preparados.
Por fim, o que devemos esperar para 2010 e anos seguintes é a consolidação de estratégias focadas nos serviços aplicados aos aparelhos móveis (IPhone, Blackberrys & Cia.), CRM (Customer Relationship Management) e “Homepages” direcionadas exclusivamente para esse público. Acostume-se com termos como M-marketing, M-CRM, M-Distritution, etc. Para a letra “M”, entenda como Mobile (móvel).
Para o profissional hoteleiro, se você quer fazer a diferença no marketing e/ou no gerenciamento de demanda, aprenda sobre distribuição como parte “chave” do seu “job description”, não importando sua posição.
E seu hotel? Está preparado tecnologicamente e já tem um plano estruturado e consistente para uma gestão eficiente de distribuição nos próximos anos?